A distância diminuiu. Na verdade, acabou. Tudo o que se fazia ou se pretendia distante, foi, por um momento, pura aproximação. Foi quase simbiose de si e de outro.
A beleza do medo... Ah, a beleza do frio na barriga. Coisa bonita de ver e gostosa de sentir quando, mesmo no entre as correrias da vida, há o que se dizer, com palavras ou não, que seja belo para aqueles que queremos bem.
Por isso...
Recolho-me à sombra que vem de nossa luz
E te vejo melhor
Escondo-me entre os trechos de palavras sussurradas
E me ouço mais
Sinto cada detalhe do toque, cada cheiro
Como se fosse alma minha distribuída em outros poros
Perdi-me?
Acho que me encontrei por algum momento
No silêncio calmo e covarde do não dizer coisas belas
E foi lá que te encontrei
Numa casca feita por gente amada mas que não amou
Por gente amiga, mas que nã0 enxergaria nunca
Que entre uma cerveja à noite, e o sorriso de bom dia
Há um precipício que de segurança só tem o travesseiro
Fingi não pensar em amor quase em todos os momentos
Atuei, fingi, enganei.
Mas foi um engano daquele gostoso, sabe?
Que a gente gosta de enganar e outro gosta também
Gosta de ser enganado, gosta de acreditar
E eu acredito
Acredito em todas as mentiras doces de ouvir
Em toda inverdade que me arranque um sorriso
Desde que elas venham, calmas e diretas
Como pretensas verdades.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Querer bem de longe.
A distância é o termômetro fiel do bem querer.
Saudade a gente sente de quase tudo nessa vida. A saudade não depende de estar longe. Por vezes, penso que sentimos saudade porque gostamos da falta que as coisas fazem ou deveriam fazer. Quantas vezes temos oportunidade de ir atrás daquele alguém que nos falta, e por qualquer motivo ou motivo nenhum, não o fazemos! Só pra ter do que sentir saudades, ou pra poder falar: "Nossa, quanto tempo!"
Mas tudo muda com a distância. Ela nos dá um motivo real pra não poder ligar, não poder ver, não poder chamar. Faz com que nos sintamos os menos providos de amor, os mais carentes. É com a distância que a saudade é autêntica.
É na saudade que os olhos dos amantes ficam ainda mais belos, as palavras ditas são então repetidas inúmeras vezes na memória, e a cada vez que são repetidas, se tornam ainda mais belas.
A essência do romance é a saudade.
Não é à toa que os poetas, doentes de um romantismo crônico, sempre escolhem a saudade, em algum momento da vida, pra ser alvo de seus versos.
E eu sinto saudade. Hoje sei que o querer bem é grande.
Isso é um problema a ser resolvido.
Saudade a gente sente de quase tudo nessa vida. A saudade não depende de estar longe. Por vezes, penso que sentimos saudade porque gostamos da falta que as coisas fazem ou deveriam fazer. Quantas vezes temos oportunidade de ir atrás daquele alguém que nos falta, e por qualquer motivo ou motivo nenhum, não o fazemos! Só pra ter do que sentir saudades, ou pra poder falar: "Nossa, quanto tempo!"
Mas tudo muda com a distância. Ela nos dá um motivo real pra não poder ligar, não poder ver, não poder chamar. Faz com que nos sintamos os menos providos de amor, os mais carentes. É com a distância que a saudade é autêntica.
É na saudade que os olhos dos amantes ficam ainda mais belos, as palavras ditas são então repetidas inúmeras vezes na memória, e a cada vez que são repetidas, se tornam ainda mais belas.
A essência do romance é a saudade.
Não é à toa que os poetas, doentes de um romantismo crônico, sempre escolhem a saudade, em algum momento da vida, pra ser alvo de seus versos.
E eu sinto saudade. Hoje sei que o querer bem é grande.
Isso é um problema a ser resolvido.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Intervalo
Escreverei meu lume de outras terras por esses dias...
Viajarei... Vou respirar ar novo longe dessa ilha.
Vou pra sentir saudade, pra ver gente amada e pra querer amar a gente que vejo sempre.
Vou ver nascer um lume novo na crista cinza dos dias...
Nascerei eu de novo, como faço sempre que amanheço.
Quero amanhecer mais, quero me fazer mais quero mais ser feita
Ver o riso na graça perfeita que tantos vêem na minha cara
Ver a tara na raça eleita pelo meu corpo que tanto se cala
Quero verbo.
Quero tempo, ação, adjetivos absortos nas palavras quentes e indecentes que você só fala baixinho
Quero que você grite.
Mas... grita sem machucar?
É que eu tenho um palpite: os gritos que se gritam ao pé do ouvido
São levados mais cedo pelo ar
Então vem e grita dentro de mim
Quem sabe assim o vento não queira te levar.
Viajarei... Vou respirar ar novo longe dessa ilha.
Vou pra sentir saudade, pra ver gente amada e pra querer amar a gente que vejo sempre.
Vou ver nascer um lume novo na crista cinza dos dias...
Nascerei eu de novo, como faço sempre que amanheço.
Quero amanhecer mais, quero me fazer mais quero mais ser feita
Ver o riso na graça perfeita que tantos vêem na minha cara
Ver a tara na raça eleita pelo meu corpo que tanto se cala
Quero verbo.
Quero tempo, ação, adjetivos absortos nas palavras quentes e indecentes que você só fala baixinho
Quero que você grite.
Mas... grita sem machucar?
É que eu tenho um palpite: os gritos que se gritam ao pé do ouvido
São levados mais cedo pelo ar
Então vem e grita dentro de mim
Quem sabe assim o vento não queira te levar.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Problema seu
"Chegou a hora de parar e eu parei.
Parei até segunda ordem. Até que alguém saia dessa letargia insana e irrelevante e resolva me convencer, então, de que vale a pena.
Cansei de vias de mão única. Cansei de ser a minha a mão única. Tenho muito sono, pouco dinheiro e muitos sonhos a realizar. Tanta coisa pra fazer por mim e tanta gente pra fazer feliz. Não posso me dar ao luxo de estacionar na letargia delirante de gente que não tem amor nem por si.
Não amo sozinha, não amo quem não se ama.
De dentro das casas-problemas onde guardamos os traumas, as sensações e os medos, saem também as determinações de mudança. E para mudar, o mínimo que se tem que fazer é querer. Tenho já pesada bagagem de problemas, problemas meus. Por um momento quis ignorar, ou relevar isso, nem que fosse pra ajudar o tal do outro a também carregar seus problemas.
Xadrez, damas, pingue-pongue, tudo mostra que dupla é sempre melhor que solo. E eu quis carregar malas e problemas em dupla. Hoje já não sei.
Pode ser que um sorriso diferente, uma confissão na calada da noite, uma refeição compartilhada me façam logo mudar de ideia. Mas realmente não sei mais.
Quero que tudo se prove errado e amanhã não acredite mais em nenhuma palavra dessas. Mas ao fraco que se esconde dos próprios sentimentos, só posso dizer que "Você pra mim é problema seu." E tem mesmo que ser.
Problema seu
problema seu
problema seu
Problema só
Problema sem mim
Problema que me dói
Problema que quero por perto
Problema seu
Problema só seu
Problema nosso...
Trate de ser problema seu. Ou vem logo aqui pra gente se ajudar... Ninguém é problema apenas de si mesmo... Eu sei e tu também."
Parei até segunda ordem. Até que alguém saia dessa letargia insana e irrelevante e resolva me convencer, então, de que vale a pena.
Cansei de vias de mão única. Cansei de ser a minha a mão única. Tenho muito sono, pouco dinheiro e muitos sonhos a realizar. Tanta coisa pra fazer por mim e tanta gente pra fazer feliz. Não posso me dar ao luxo de estacionar na letargia delirante de gente que não tem amor nem por si.
Não amo sozinha, não amo quem não se ama.
De dentro das casas-problemas onde guardamos os traumas, as sensações e os medos, saem também as determinações de mudança. E para mudar, o mínimo que se tem que fazer é querer. Tenho já pesada bagagem de problemas, problemas meus. Por um momento quis ignorar, ou relevar isso, nem que fosse pra ajudar o tal do outro a também carregar seus problemas.
Xadrez, damas, pingue-pongue, tudo mostra que dupla é sempre melhor que solo. E eu quis carregar malas e problemas em dupla. Hoje já não sei.
Pode ser que um sorriso diferente, uma confissão na calada da noite, uma refeição compartilhada me façam logo mudar de ideia. Mas realmente não sei mais.
Quero que tudo se prove errado e amanhã não acredite mais em nenhuma palavra dessas. Mas ao fraco que se esconde dos próprios sentimentos, só posso dizer que "Você pra mim é problema seu." E tem mesmo que ser.
Problema seu
problema seu
problema seu
Problema só
Problema sem mim
Problema que me dói
Problema que quero por perto
Problema seu
Problema só seu
Problema nosso...
Trate de ser problema seu. Ou vem logo aqui pra gente se ajudar... Ninguém é problema apenas de si mesmo... Eu sei e tu também."
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Joana d'Água
De todos os lugares aos quais tinha viajado, Joana não se lembrava de nenhum que fosse tão emocionante quanto a viagem da noite anterior.
Ela caminhara por ruas molhadas de história. Lembranças, tragédias silêncios e água. Lágrimas, saliva, suor e todas as águas que haviam naquele lugar.
Joana viajou pra dentro de si. Conheceu o calor de seu corpo e o frio da mente. A inquietação de seu espírito nunca havia lhe dito tanto quanto na noite anterior.
Um sono cheio de sonhos. Bons, de saudade, de medo. Sonhos de água, água dela. Já não sabia acordar.
Na corrida nas ruas molhadas, saiu da carne quente de Joana, o suor frio da noite. E ela se viu só. Se fez lágrimas. Virou água. E escorreu pelas ruas dos seus sonhos, sendo a água-história que ela queria viver.
Escrito em 27/05/2009.
Ela caminhara por ruas molhadas de história. Lembranças, tragédias silêncios e água. Lágrimas, saliva, suor e todas as águas que haviam naquele lugar.
Joana viajou pra dentro de si. Conheceu o calor de seu corpo e o frio da mente. A inquietação de seu espírito nunca havia lhe dito tanto quanto na noite anterior.
Um sono cheio de sonhos. Bons, de saudade, de medo. Sonhos de água, água dela. Já não sabia acordar.
Na corrida nas ruas molhadas, saiu da carne quente de Joana, o suor frio da noite. E ela se viu só. Se fez lágrimas. Virou água. E escorreu pelas ruas dos seus sonhos, sendo a água-história que ela queria viver.
Escrito em 27/05/2009.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Cúmplice.
Eu queria contar das coisas bonitas que têm me acontecido. Dos sorrisos que recebi, das lágrimas que dividiram comigo, do carinho, da sinceridade inocente e cúmplice. Ah, cumplicidade. Coisa bonita de ter e sentir, viu? Nós precisamos ser mais cúmplices, porque quando o somos, parece que o mundo todo vai embora e nada mais faz falta, porque o cúmplice tá ali.
O tal do cúmplice pode ser um amigo, um parente, um amor novo que chega, um amor velho que volta, mas ele precisa de uma coisa apenas: Sinceridade nos olhos, ainda que esses não enxerguem muito bem. E de tato.
Cumplicidade sem toque não existe.
Se o cúmplice for alguém desejado, amado, confunda, sempre que der, o seu corpo com o dele, pra no momento de não saber quem é quem, poder querer bem ao outro como se quer a si. Confundir é bem menos complexo e sexual do que muita gente pensa, é se entregar de verdade num abraço, manter as mãos unidas por momentos únicos, ainda que curtos. Ligar-se ao outro simplesmente pelo olhar.
E sentir que as lágrimas que saem daqui ou de lá, são todas suas.
O tal do cúmplice pode ser um amigo, um parente, um amor novo que chega, um amor velho que volta, mas ele precisa de uma coisa apenas: Sinceridade nos olhos, ainda que esses não enxerguem muito bem. E de tato.
Cumplicidade sem toque não existe.
Se o cúmplice for alguém desejado, amado, confunda, sempre que der, o seu corpo com o dele, pra no momento de não saber quem é quem, poder querer bem ao outro como se quer a si. Confundir é bem menos complexo e sexual do que muita gente pensa, é se entregar de verdade num abraço, manter as mãos unidas por momentos únicos, ainda que curtos. Ligar-se ao outro simplesmente pelo olhar.
E sentir que as lágrimas que saem daqui ou de lá, são todas suas.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
O som de Ana.
Continuando a onda de coisas com personagens...
Aninha era uma menina que queria conhecer a vida em sua plenitude.
Queria entender dos mistérios dos homens, dos animais, do sagrado, de tudo. Enchia-se de vida por todo espaço que pudesse encontrar e nunca aprendeu a distinção humana entre o belo e o feio.
De certo modo, essas separações não faziam sentido para ela. Ela adorava assistir partos de animais, ver acidentes ou simplesmente frutas caindo do pé. Abria tudo que encontrava pelo caminho com o intuito mais belo e infantil de ver como as coisas são por dentro.
Ana não usava as palavras da mesma maneira que nós.
Quando perguntavam porque ela abria as coisas ela dizia :" Quero ver como é de verdade." A família dela nunca questionou, censurou nem tampouco incentivou os hábitos desbravadores da menina.
Ana não tinha muitos amigos. Sua vontade de entender tudo demais à sua maneira exótica sempre afastou as crianças da sua idade. Quando seus coleguinhas estavam descobrindo as diferenças de sexo entre garotos e garotas, ela estava abrindo animais para confirmar as lendas de cegonha.
Ana se enchia de vida. Engolia toda a vida que pudesse encontrar e depois vomitava. "Quero ver como é de verdade."
Ana foi crescendo e percebeu que saber demais sobre a vida tinha lhe custado viver dela muito pouco junto com as outras pessoas.
Ana resolver pesquisar outro setor de vida que não era fisiológico, ao menos a princípio.
Resolveu lidar com as pessoas da sua idade.
À essa altura ela já estava com 16 anos e era o protótipo perfeito da esquisitisse. Usava óculos, não andava na moda, era corcunda e não via motivos que a animassem pra conversar com seus contemporâneos.
A vida a que ela se acostumara era viva demais. Banalidades, embora fossem parte da vida, pareciam com pouco encanto para ela. Algo não digno de ser dissecado.
Mas aquele grupo, banal, por certo, Ana não conseguiu ignorar. Havia vida neles, uma vez que se locomoviam... E ela resolveu dissecar...
Nessa vida locomotiva que ela assistia, o barulho de "piuí" não era nada poético como as Marias-fumaça. Era um piuí tecnotrancedancehiphop era um chiado barulhento e mudo de essência. Era barulho.
Dissecou, dissecou, dissecou... Alguns ela até quis dissecar literalmente, mas Ana era esquisita e não doida.
E dissecando foi, até descobrir que o que faltava naqueles que a cercavam era som.
Um som que significasse, um som que musicasse, um som que dissesse algo que não fosse apenas sensível, mas inteligível. Um som que não falasse língua nenhuma, mas que falasse todas. Um som que fosse como ela era. Um som que inspirasse as pessoas a querer ver de verdade.
Aninha era uma menina que queria conhecer a vida em sua plenitude.
Queria entender dos mistérios dos homens, dos animais, do sagrado, de tudo. Enchia-se de vida por todo espaço que pudesse encontrar e nunca aprendeu a distinção humana entre o belo e o feio.
De certo modo, essas separações não faziam sentido para ela. Ela adorava assistir partos de animais, ver acidentes ou simplesmente frutas caindo do pé. Abria tudo que encontrava pelo caminho com o intuito mais belo e infantil de ver como as coisas são por dentro.
Ana não usava as palavras da mesma maneira que nós.
Quando perguntavam porque ela abria as coisas ela dizia :" Quero ver como é de verdade." A família dela nunca questionou, censurou nem tampouco incentivou os hábitos desbravadores da menina.
Ana não tinha muitos amigos. Sua vontade de entender tudo demais à sua maneira exótica sempre afastou as crianças da sua idade. Quando seus coleguinhas estavam descobrindo as diferenças de sexo entre garotos e garotas, ela estava abrindo animais para confirmar as lendas de cegonha.
Ana se enchia de vida. Engolia toda a vida que pudesse encontrar e depois vomitava. "Quero ver como é de verdade."
Ana foi crescendo e percebeu que saber demais sobre a vida tinha lhe custado viver dela muito pouco junto com as outras pessoas.
Ana resolver pesquisar outro setor de vida que não era fisiológico, ao menos a princípio.
Resolveu lidar com as pessoas da sua idade.
À essa altura ela já estava com 16 anos e era o protótipo perfeito da esquisitisse. Usava óculos, não andava na moda, era corcunda e não via motivos que a animassem pra conversar com seus contemporâneos.
A vida a que ela se acostumara era viva demais. Banalidades, embora fossem parte da vida, pareciam com pouco encanto para ela. Algo não digno de ser dissecado.
Mas aquele grupo, banal, por certo, Ana não conseguiu ignorar. Havia vida neles, uma vez que se locomoviam... E ela resolveu dissecar...
Nessa vida locomotiva que ela assistia, o barulho de "piuí" não era nada poético como as Marias-fumaça. Era um piuí tecnotrancedancehiphop era um chiado barulhento e mudo de essência. Era barulho.
Dissecou, dissecou, dissecou... Alguns ela até quis dissecar literalmente, mas Ana era esquisita e não doida.
E dissecando foi, até descobrir que o que faltava naqueles que a cercavam era som.
Um som que significasse, um som que musicasse, um som que dissesse algo que não fosse apenas sensível, mas inteligível. Um som que não falasse língua nenhuma, mas que falasse todas. Um som que fosse como ela era. Um som que inspirasse as pessoas a querer ver de verdade.
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