domingo, 15 de novembro de 2009

A beleza de não caber em si

É tudo mais bonito quando o frio na barriga é constante. É sempre lindo poder guardar a ansiedade do momento a seguir...
Hoje minhas angústias políticas todas voltaram a tomar conta de mim. Um pedaço adormecido de tudo o que eu já fui me esbofeteou a cara e eu reagi. Não sei o que será pra frente, mas sei que não caibo mais em mim.

Extrapolei os limites do meu corpo, minhas mãos não são mais suficientes para o que pretendo realizar. Preciso de outras junto comigo, ou preciso estar junto a outras. Toda a poesia que me enche e sempre me encheu ainda está aqui. Cheia de si, cheia de mim e cheia de outros como nunca esteve.

Se pretende doce sem enjoar. Se faz coerente e dissonante como o que sou. ´Pedaço corpo, pedaço sonho e tudo movimento. Me movimento dormindo, porque não faço tudo o que preciso acordada.

Não caibo em mim.

sábado, 14 de novembro de 2009

Pra quê título?

Um dia, o dia eem que eu resolvesse ser uma menina da minha idade tinha que chegar. Essa semana ele chegou e durou dois dias... Haahahaha. Foi lindo, maravilhoso, tudo de bom ter 19 anos e não pensar em nada. Agora já voltei aos 65 anos habituais.
No meio da correria de redação, estágio, produção de festival, stress - intervalo: beijo na boca, sexo- redação, estágio, produção de festival. EBA! O Festival acabou! Foi um sucesso, foi lindo, mas só preciso de outra dose an que vem. Adorei ver os filmes da galerinha, conhecer gente nova, e poder relaxar depois de cada dia do festival (rs).
Acho que vou criar outro blog.
Pra poder falar das coisas que eu ando fazendo. Esse daqui é muito sentimental, aí eu sempre acho que tô escrevendo no lugar errado.


Bejos, babes.

domingo, 6 de setembro de 2009

A volta das palavras (ou outro nome mais óbvio).

De repente eu decidi não mais escrever. Perceber o quão romântica esse hábito de colocar em palavras todas as coisas me tornava foi angusitante demais. Mas não consegui passar muito tempo sem isso. Não escrever me deixou pensativa demais. Não que as palavras que eu deixasse pelos cantos fossem mesmo um desabafo, (nem minhas elas pareciam) mas eram o reflexo ou o sonho de alguma coisa que tinha algum pedaço de mim.

E não escrever foi me deixando sem pedaços, e sem pedaços não se pode ser inteira. Mas isso eu ainda me pretendia ser. E fui. Nas palavras que escorriam na minha inteirisse não pude encontrar nada. Elas já não às mãos e, em protesto, resolveram não mais virem à boca também. Entendi que quiseram me mostrar como se sentiam por não serem extravazadas e presenteadas por aí, sem nenhum motivo inevitável.

Mas tornaram inevitável meu retorno a elas. Comecei a engasgar com as palavras, mas as engolia toda vez. Dentro da minha barriga, elas me causavam dores que me impediam a respiração. As malditas palavras ausentes de mim, fizeram meu silêncio amargo e sem modos não conseguir se explicar a ninguém. Foi assim, que resolvi, num exercício de bulimia palavrial, vomitá-las todas, para que livres, elas me deixassem ser eu novamente.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Cada palavra dita tinha sido escrita para o juízo final. Foi então que eu resolvi: De nada valeu ter juízo, afinal. Joguei longe os conselhos de pano de chão, foram pelo ralo as mentiras rastejantes. E em meu véu de dama delirante, se abriram buracos de teia meretriz.

domingo, 12 de julho de 2009

"Não lembro de nada direito. Só sei que tinha um sax, dois ou três cigarros na carteira e um acompanhante que também não lembro o rosto.
Música boa, conversa boa e cigarro acabando. Desculpa muito boa pra levar qualquer um pra minha casa. Devo dizer que tem ficado cada dia maís fácil enrolar esses meninos de hoje em dia. Sou uma mulher solteira de 35 anos muito bonita, modéstia à parte, e rica.
Esses meninos só conseguem enxergar isso pela frente. Uma noite paga, uma trepada boa e história pra contar de manhã. O sax quem ouvia era só eu mesmo. Acho que os hormônios da juventude masculina diluem o bom gosto musical. Não é geral, não se ofendam, meninos, mas foi assim.
Eu cantarolando meus antigos jazz e ele se sacudindo na mesa ao som do sertanejo que tocava no bar da frente. Cansei. Incompatibilidade de gênios. Desisti da desculpa boa pra levar um molecote pra casa. Resolvi ir sozinha mesmo. Já fiz isso tantas vezes que uma a mais ou a menos, não faria muita diferença. A surpresa foi na saída do restaurante.
Achei de onde vinha o tal do jazz. Das mãos perfeitas e do sopro forte do saxofonista mais lindo que eu já tinha visto nos bares dessa cidade. Já o tinha visto outras vezes, mas naquele dia, a coisa tava diferente. A música tocava dentro dele de uma maneira quase obscena.
Dispensei o molecote e resolvi ficar ali até aquele deus terminar seu ritual. Apaixonei. Eu sei que alguma linha da psicologia pode me dizer que o fator-paixão foi o sax na mão dele, e pode até ser verdade, mas o que mais me encantou foi o sopro mesmo e aqueles olhos fechados esperando a música sair de dentro de si e entrar, ao mesmo tempo, ali na minha frente.
E ele me viu. Todo mundo viu.
No intervalo ele veio até mim, pediu um cigarro (menos um agora, desculpa cada vez melhor pra ir pra casa), e deu um sorriso que os homens só dão quando sabem que são gostosos. Ele era.
Veio com uma conversa mole de já ter me visto, conhecia meu gosto musical e eu não ouvia nada. So olhava pras mãos, pros olhos, pra ele no estado mudo. O único som que eu permitia pra ele era o jazz. Coitado!
Foi pra minha casa, ganhou uns beijinhos, e quando tudo parecia caminhar para onde eu queria, recebi lágrimas. O homem chorava um choro difícil de decifrar, e abraçava e chorava, me beijava e não parava de chorar. Dentro em pouco, eu já chorava também. Não sei se por solidariedade às lágrimas dele, mas chorava, e a cada lágrima aumentava a paixão que começou no bar.
Loucura total, coisa de criança ou de maluco, mas eu gostei.
E foi meio sem jeito, meio molhado, meio lacrimejante que ele escreveu em minha pele sua música, fui seu ritmo, sua partitura, seu sax.
Fui."



Música de hoje: Seven Day Fool - Etta James

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Natureza.

O gosto era de pele jovem, antiga, mas jovem. Os olhos eram meio assim, curiosos... Apagadinhos curiosos que tentavam disfarçar não me achar criança demais praqueles momentos, mas tudo isso eu conseguia ignorar.
Das palavras arrogantes às que se prentendiam sensuais, todas elas tomavam meus ouvidos e meus olhos sem que eu nada pudesse fazer. E me rendi. Foi uma rendição medrosa, confesso. Mas uma rendição.
Som de coração batendo e de risada fácil, era tudo o que eu ouvia por trás da porta dele. Uma porta entreaberta que parecia querer me atrair como o doce a uma criança. Analogia fraca, no entanto esclarecedora sobre o que me ocorreu.
Do meio do mato que era eu, se ouviam passos. Do meio do nada que me parecia o outro, eu sentia gargalhadas. Daquelas bem bonachonas, sabe? é... de tudo que eu já aprendi a fazer, me fazer de morta foi o mais útil e mais difícil com essa natureza que ganhei de alguém.
Minha natureza viva transbordando pra dentro de mim.
Uma natureza quase viva ou meio morta querendo sair por dentro de mim... Mas ainda assim uma natureza. Mas ela era pra dois. Pra uma e pra algum outro. Um outro qualquer, um outro rotativo, ou outro perene, mas um outro.
Requisito? Sei lá... anti-natureza morta deve bastar.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Espectadora de mim

Eu estive naquele espaço por muito tempo, antes de me dar conta de que havia olhos sobre mim. Nunca pensei em esconder meus sentimentos nem meus desejos. Eu não estava acostumada. Nem ele. Mas eram faltas de costumes diferentes. Uma mostrava tudo demais, o outro, sentia tudo tão profundamente, que era difícil deixar qualquer coisa na superfície.
Mas se entendiam. O toque era a comunicação perfeita para aqueles que, mesmo dominando bem as palavras, não sabiam usá-las pra falar de si. E eu estava naquele espaço.
Sendo espectadora da minha própria existência. Ansiosa por nela atuar, mas desejando mesmo ficar apenas assistindo e torcendo pra que a vida fosse boa, afinal. E era.
Vida vivida e sentida sempre por meio de olhares. Os voluptuosos sempre foram os melhores. Sentir o calor saindo da carne ao mesmo tempo que a alma tentava fugir, era extasiante. Imaginar o que aconteceria no contato dos corpos era a melhor ousadia. (Se apenas com olhares o incêndio começara, imagino eu como seria com os corpos).
Nem com toda imaginação possível, alguém conseguiria projetar como eram belos os pensamentos na minha mente sobre uma noite de amor com aquele rapaz. Talvez nem a minha imaginação desse conta de captar todos os seus anseios.
Eu só sabia que a cada toque que recebia de suas mãos, minha alma saltava assustada, querendo tocá-lo. E era esse o meu arrepio. Era a fuga da minha alma, a se encontrar com o pedacinho que ele se permitia dividir.