quarta-feira, 26 de agosto de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
"Não lembro de nada direito. Só sei que tinha um sax, dois ou três cigarros na carteira e um acompanhante que também não lembro o rosto.
Música boa, conversa boa e cigarro acabando. Desculpa muito boa pra levar qualquer um pra minha casa. Devo dizer que tem ficado cada dia maís fácil enrolar esses meninos de hoje em dia. Sou uma mulher solteira de 35 anos muito bonita, modéstia à parte, e rica.
Esses meninos só conseguem enxergar isso pela frente. Uma noite paga, uma trepada boa e história pra contar de manhã. O sax quem ouvia era só eu mesmo. Acho que os hormônios da juventude masculina diluem o bom gosto musical. Não é geral, não se ofendam, meninos, mas foi assim.
Eu cantarolando meus antigos jazz e ele se sacudindo na mesa ao som do sertanejo que tocava no bar da frente. Cansei. Incompatibilidade de gênios. Desisti da desculpa boa pra levar um molecote pra casa. Resolvi ir sozinha mesmo. Já fiz isso tantas vezes que uma a mais ou a menos, não faria muita diferença. A surpresa foi na saída do restaurante.
Achei de onde vinha o tal do jazz. Das mãos perfeitas e do sopro forte do saxofonista mais lindo que eu já tinha visto nos bares dessa cidade. Já o tinha visto outras vezes, mas naquele dia, a coisa tava diferente. A música tocava dentro dele de uma maneira quase obscena.
Dispensei o molecote e resolvi ficar ali até aquele deus terminar seu ritual. Apaixonei. Eu sei que alguma linha da psicologia pode me dizer que o fator-paixão foi o sax na mão dele, e pode até ser verdade, mas o que mais me encantou foi o sopro mesmo e aqueles olhos fechados esperando a música sair de dentro de si e entrar, ao mesmo tempo, ali na minha frente.
E ele me viu. Todo mundo viu.
No intervalo ele veio até mim, pediu um cigarro (menos um agora, desculpa cada vez melhor pra ir pra casa), e deu um sorriso que os homens só dão quando sabem que são gostosos. Ele era.
Veio com uma conversa mole de já ter me visto, conhecia meu gosto musical e eu não ouvia nada. So olhava pras mãos, pros olhos, pra ele no estado mudo. O único som que eu permitia pra ele era o jazz. Coitado!
Foi pra minha casa, ganhou uns beijinhos, e quando tudo parecia caminhar para onde eu queria, recebi lágrimas. O homem chorava um choro difícil de decifrar, e abraçava e chorava, me beijava e não parava de chorar. Dentro em pouco, eu já chorava também. Não sei se por solidariedade às lágrimas dele, mas chorava, e a cada lágrima aumentava a paixão que começou no bar.
Loucura total, coisa de criança ou de maluco, mas eu gostei.
E foi meio sem jeito, meio molhado, meio lacrimejante que ele escreveu em minha pele sua música, fui seu ritmo, sua partitura, seu sax.
Fui."
Música de hoje: Seven Day Fool - Etta James
Música boa, conversa boa e cigarro acabando. Desculpa muito boa pra levar qualquer um pra minha casa. Devo dizer que tem ficado cada dia maís fácil enrolar esses meninos de hoje em dia. Sou uma mulher solteira de 35 anos muito bonita, modéstia à parte, e rica.
Esses meninos só conseguem enxergar isso pela frente. Uma noite paga, uma trepada boa e história pra contar de manhã. O sax quem ouvia era só eu mesmo. Acho que os hormônios da juventude masculina diluem o bom gosto musical. Não é geral, não se ofendam, meninos, mas foi assim.
Eu cantarolando meus antigos jazz e ele se sacudindo na mesa ao som do sertanejo que tocava no bar da frente. Cansei. Incompatibilidade de gênios. Desisti da desculpa boa pra levar um molecote pra casa. Resolvi ir sozinha mesmo. Já fiz isso tantas vezes que uma a mais ou a menos, não faria muita diferença. A surpresa foi na saída do restaurante.
Achei de onde vinha o tal do jazz. Das mãos perfeitas e do sopro forte do saxofonista mais lindo que eu já tinha visto nos bares dessa cidade. Já o tinha visto outras vezes, mas naquele dia, a coisa tava diferente. A música tocava dentro dele de uma maneira quase obscena.
Dispensei o molecote e resolvi ficar ali até aquele deus terminar seu ritual. Apaixonei. Eu sei que alguma linha da psicologia pode me dizer que o fator-paixão foi o sax na mão dele, e pode até ser verdade, mas o que mais me encantou foi o sopro mesmo e aqueles olhos fechados esperando a música sair de dentro de si e entrar, ao mesmo tempo, ali na minha frente.
E ele me viu. Todo mundo viu.
No intervalo ele veio até mim, pediu um cigarro (menos um agora, desculpa cada vez melhor pra ir pra casa), e deu um sorriso que os homens só dão quando sabem que são gostosos. Ele era.
Veio com uma conversa mole de já ter me visto, conhecia meu gosto musical e eu não ouvia nada. So olhava pras mãos, pros olhos, pra ele no estado mudo. O único som que eu permitia pra ele era o jazz. Coitado!
Foi pra minha casa, ganhou uns beijinhos, e quando tudo parecia caminhar para onde eu queria, recebi lágrimas. O homem chorava um choro difícil de decifrar, e abraçava e chorava, me beijava e não parava de chorar. Dentro em pouco, eu já chorava também. Não sei se por solidariedade às lágrimas dele, mas chorava, e a cada lágrima aumentava a paixão que começou no bar.
Loucura total, coisa de criança ou de maluco, mas eu gostei.
E foi meio sem jeito, meio molhado, meio lacrimejante que ele escreveu em minha pele sua música, fui seu ritmo, sua partitura, seu sax.
Fui."
Música de hoje: Seven Day Fool - Etta James
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Natureza.
O gosto era de pele jovem, antiga, mas jovem. Os olhos eram meio assim, curiosos... Apagadinhos curiosos que tentavam disfarçar não me achar criança demais praqueles momentos, mas tudo isso eu conseguia ignorar.
Das palavras arrogantes às que se prentendiam sensuais, todas elas tomavam meus ouvidos e meus olhos sem que eu nada pudesse fazer. E me rendi. Foi uma rendição medrosa, confesso. Mas uma rendição.
Som de coração batendo e de risada fácil, era tudo o que eu ouvia por trás da porta dele. Uma porta entreaberta que parecia querer me atrair como o doce a uma criança. Analogia fraca, no entanto esclarecedora sobre o que me ocorreu.
Do meio do mato que era eu, se ouviam passos. Do meio do nada que me parecia o outro, eu sentia gargalhadas. Daquelas bem bonachonas, sabe? é... de tudo que eu já aprendi a fazer, me fazer de morta foi o mais útil e mais difícil com essa natureza que ganhei de alguém.
Minha natureza viva transbordando pra dentro de mim.
Uma natureza quase viva ou meio morta querendo sair por dentro de mim... Mas ainda assim uma natureza. Mas ela era pra dois. Pra uma e pra algum outro. Um outro qualquer, um outro rotativo, ou outro perene, mas um outro.
Requisito? Sei lá... anti-natureza morta deve bastar.
Das palavras arrogantes às que se prentendiam sensuais, todas elas tomavam meus ouvidos e meus olhos sem que eu nada pudesse fazer. E me rendi. Foi uma rendição medrosa, confesso. Mas uma rendição.
Som de coração batendo e de risada fácil, era tudo o que eu ouvia por trás da porta dele. Uma porta entreaberta que parecia querer me atrair como o doce a uma criança. Analogia fraca, no entanto esclarecedora sobre o que me ocorreu.
Do meio do mato que era eu, se ouviam passos. Do meio do nada que me parecia o outro, eu sentia gargalhadas. Daquelas bem bonachonas, sabe? é... de tudo que eu já aprendi a fazer, me fazer de morta foi o mais útil e mais difícil com essa natureza que ganhei de alguém.
Minha natureza viva transbordando pra dentro de mim.
Uma natureza quase viva ou meio morta querendo sair por dentro de mim... Mas ainda assim uma natureza. Mas ela era pra dois. Pra uma e pra algum outro. Um outro qualquer, um outro rotativo, ou outro perene, mas um outro.
Requisito? Sei lá... anti-natureza morta deve bastar.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Espectadora de mim
Eu estive naquele espaço por muito tempo, antes de me dar conta de que havia olhos sobre mim. Nunca pensei em esconder meus sentimentos nem meus desejos. Eu não estava acostumada. Nem ele. Mas eram faltas de costumes diferentes. Uma mostrava tudo demais, o outro, sentia tudo tão profundamente, que era difícil deixar qualquer coisa na superfície.
Mas se entendiam. O toque era a comunicação perfeita para aqueles que, mesmo dominando bem as palavras, não sabiam usá-las pra falar de si. E eu estava naquele espaço.
Sendo espectadora da minha própria existência. Ansiosa por nela atuar, mas desejando mesmo ficar apenas assistindo e torcendo pra que a vida fosse boa, afinal. E era.
Vida vivida e sentida sempre por meio de olhares. Os voluptuosos sempre foram os melhores. Sentir o calor saindo da carne ao mesmo tempo que a alma tentava fugir, era extasiante. Imaginar o que aconteceria no contato dos corpos era a melhor ousadia. (Se apenas com olhares o incêndio começara, imagino eu como seria com os corpos).
Nem com toda imaginação possível, alguém conseguiria projetar como eram belos os pensamentos na minha mente sobre uma noite de amor com aquele rapaz. Talvez nem a minha imaginação desse conta de captar todos os seus anseios.
Eu só sabia que a cada toque que recebia de suas mãos, minha alma saltava assustada, querendo tocá-lo. E era esse o meu arrepio. Era a fuga da minha alma, a se encontrar com o pedacinho que ele se permitia dividir.
Mas se entendiam. O toque era a comunicação perfeita para aqueles que, mesmo dominando bem as palavras, não sabiam usá-las pra falar de si. E eu estava naquele espaço.
Sendo espectadora da minha própria existência. Ansiosa por nela atuar, mas desejando mesmo ficar apenas assistindo e torcendo pra que a vida fosse boa, afinal. E era.
Vida vivida e sentida sempre por meio de olhares. Os voluptuosos sempre foram os melhores. Sentir o calor saindo da carne ao mesmo tempo que a alma tentava fugir, era extasiante. Imaginar o que aconteceria no contato dos corpos era a melhor ousadia. (Se apenas com olhares o incêndio começara, imagino eu como seria com os corpos).
Nem com toda imaginação possível, alguém conseguiria projetar como eram belos os pensamentos na minha mente sobre uma noite de amor com aquele rapaz. Talvez nem a minha imaginação desse conta de captar todos os seus anseios.
Eu só sabia que a cada toque que recebia de suas mãos, minha alma saltava assustada, querendo tocá-lo. E era esse o meu arrepio. Era a fuga da minha alma, a se encontrar com o pedacinho que ele se permitia dividir.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Sinestesia
A distância diminuiu. Na verdade, acabou. Tudo o que se fazia ou se pretendia distante, foi, por um momento, pura aproximação. Foi quase simbiose de si e de outro.
A beleza do medo... Ah, a beleza do frio na barriga. Coisa bonita de ver e gostosa de sentir quando, mesmo no entre as correrias da vida, há o que se dizer, com palavras ou não, que seja belo para aqueles que queremos bem.
Por isso...
Recolho-me à sombra que vem de nossa luz
E te vejo melhor
Escondo-me entre os trechos de palavras sussurradas
E me ouço mais
Sinto cada detalhe do toque, cada cheiro
Como se fosse alma minha distribuída em outros poros
Perdi-me?
Acho que me encontrei por algum momento
No silêncio calmo e covarde do não dizer coisas belas
E foi lá que te encontrei
Numa casca feita por gente amada mas que não amou
Por gente amiga, mas que nã0 enxergaria nunca
Que entre uma cerveja à noite, e o sorriso de bom dia
Há um precipício que de segurança só tem o travesseiro
Fingi não pensar em amor quase em todos os momentos
Atuei, fingi, enganei.
Mas foi um engano daquele gostoso, sabe?
Que a gente gosta de enganar e outro gosta também
Gosta de ser enganado, gosta de acreditar
E eu acredito
Acredito em todas as mentiras doces de ouvir
Em toda inverdade que me arranque um sorriso
Desde que elas venham, calmas e diretas
Como pretensas verdades.
A beleza do medo... Ah, a beleza do frio na barriga. Coisa bonita de ver e gostosa de sentir quando, mesmo no entre as correrias da vida, há o que se dizer, com palavras ou não, que seja belo para aqueles que queremos bem.
Por isso...
Recolho-me à sombra que vem de nossa luz
E te vejo melhor
Escondo-me entre os trechos de palavras sussurradas
E me ouço mais
Sinto cada detalhe do toque, cada cheiro
Como se fosse alma minha distribuída em outros poros
Perdi-me?
Acho que me encontrei por algum momento
No silêncio calmo e covarde do não dizer coisas belas
E foi lá que te encontrei
Numa casca feita por gente amada mas que não amou
Por gente amiga, mas que nã0 enxergaria nunca
Que entre uma cerveja à noite, e o sorriso de bom dia
Há um precipício que de segurança só tem o travesseiro
Fingi não pensar em amor quase em todos os momentos
Atuei, fingi, enganei.
Mas foi um engano daquele gostoso, sabe?
Que a gente gosta de enganar e outro gosta também
Gosta de ser enganado, gosta de acreditar
E eu acredito
Acredito em todas as mentiras doces de ouvir
Em toda inverdade que me arranque um sorriso
Desde que elas venham, calmas e diretas
Como pretensas verdades.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Querer bem de longe.
A distância é o termômetro fiel do bem querer.
Saudade a gente sente de quase tudo nessa vida. A saudade não depende de estar longe. Por vezes, penso que sentimos saudade porque gostamos da falta que as coisas fazem ou deveriam fazer. Quantas vezes temos oportunidade de ir atrás daquele alguém que nos falta, e por qualquer motivo ou motivo nenhum, não o fazemos! Só pra ter do que sentir saudades, ou pra poder falar: "Nossa, quanto tempo!"
Mas tudo muda com a distância. Ela nos dá um motivo real pra não poder ligar, não poder ver, não poder chamar. Faz com que nos sintamos os menos providos de amor, os mais carentes. É com a distância que a saudade é autêntica.
É na saudade que os olhos dos amantes ficam ainda mais belos, as palavras ditas são então repetidas inúmeras vezes na memória, e a cada vez que são repetidas, se tornam ainda mais belas.
A essência do romance é a saudade.
Não é à toa que os poetas, doentes de um romantismo crônico, sempre escolhem a saudade, em algum momento da vida, pra ser alvo de seus versos.
E eu sinto saudade. Hoje sei que o querer bem é grande.
Isso é um problema a ser resolvido.
Saudade a gente sente de quase tudo nessa vida. A saudade não depende de estar longe. Por vezes, penso que sentimos saudade porque gostamos da falta que as coisas fazem ou deveriam fazer. Quantas vezes temos oportunidade de ir atrás daquele alguém que nos falta, e por qualquer motivo ou motivo nenhum, não o fazemos! Só pra ter do que sentir saudades, ou pra poder falar: "Nossa, quanto tempo!"
Mas tudo muda com a distância. Ela nos dá um motivo real pra não poder ligar, não poder ver, não poder chamar. Faz com que nos sintamos os menos providos de amor, os mais carentes. É com a distância que a saudade é autêntica.
É na saudade que os olhos dos amantes ficam ainda mais belos, as palavras ditas são então repetidas inúmeras vezes na memória, e a cada vez que são repetidas, se tornam ainda mais belas.
A essência do romance é a saudade.
Não é à toa que os poetas, doentes de um romantismo crônico, sempre escolhem a saudade, em algum momento da vida, pra ser alvo de seus versos.
E eu sinto saudade. Hoje sei que o querer bem é grande.
Isso é um problema a ser resolvido.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Intervalo
Escreverei meu lume de outras terras por esses dias...
Viajarei... Vou respirar ar novo longe dessa ilha.
Vou pra sentir saudade, pra ver gente amada e pra querer amar a gente que vejo sempre.
Vou ver nascer um lume novo na crista cinza dos dias...
Nascerei eu de novo, como faço sempre que amanheço.
Quero amanhecer mais, quero me fazer mais quero mais ser feita
Ver o riso na graça perfeita que tantos vêem na minha cara
Ver a tara na raça eleita pelo meu corpo que tanto se cala
Quero verbo.
Quero tempo, ação, adjetivos absortos nas palavras quentes e indecentes que você só fala baixinho
Quero que você grite.
Mas... grita sem machucar?
É que eu tenho um palpite: os gritos que se gritam ao pé do ouvido
São levados mais cedo pelo ar
Então vem e grita dentro de mim
Quem sabe assim o vento não queira te levar.
Viajarei... Vou respirar ar novo longe dessa ilha.
Vou pra sentir saudade, pra ver gente amada e pra querer amar a gente que vejo sempre.
Vou ver nascer um lume novo na crista cinza dos dias...
Nascerei eu de novo, como faço sempre que amanheço.
Quero amanhecer mais, quero me fazer mais quero mais ser feita
Ver o riso na graça perfeita que tantos vêem na minha cara
Ver a tara na raça eleita pelo meu corpo que tanto se cala
Quero verbo.
Quero tempo, ação, adjetivos absortos nas palavras quentes e indecentes que você só fala baixinho
Quero que você grite.
Mas... grita sem machucar?
É que eu tenho um palpite: os gritos que se gritam ao pé do ouvido
São levados mais cedo pelo ar
Então vem e grita dentro de mim
Quem sabe assim o vento não queira te levar.
Assinar:
Postagens (Atom)
