Dessa vez, a coisa linda é entender quando se é amado, mesmo quando ser amante grita o contrário.
Entender que o amor, assim como a música, não se alimenta de palavras, é um processo muito intrigante. E eu, pessoa para a qual as palavras sempre significaram demais, percebi que as palavras significam muito mesmo, mas quando elas não se pretendem significar.
A poesia se pretende escrita, declamada, doída.
Mas, ao contrário do que se pensa, a poesia serve muito mais ao poeta do que às musas.
Porque o poeta, na maioria das vezes, não alcança com a poesia, a verbalização do que as musas os inspiram.
Matei todos que escreveram sobre mim.
domingo, 13 de abril de 2008
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Levidade
A mim nunca pareceu tão estranho e complicado ser leve.
Nunca antes senti a diferença entre o ar dentro e fora de mim, andar era como deslizar no tempo. Todas as maravilhas da leveza eu experimentei, até que o peso chegou. Mas eu já o quero mandar partir, de todas as coisas que tenho e não quero, a que menos quero é o peso.
O peso entorta os ombros de que tanto gosto, todos os ombros se enfeiam com o peso. O peso nos fura embaixo dos olhos, nos arranca as unhas e torna opaco nossos cabelos.
Estou hoje, meu amor, me livrando do peso que é você.
Nunca antes senti a diferença entre o ar dentro e fora de mim, andar era como deslizar no tempo. Todas as maravilhas da leveza eu experimentei, até que o peso chegou. Mas eu já o quero mandar partir, de todas as coisas que tenho e não quero, a que menos quero é o peso.
O peso entorta os ombros de que tanto gosto, todos os ombros se enfeiam com o peso. O peso nos fura embaixo dos olhos, nos arranca as unhas e torna opaco nossos cabelos.
Estou hoje, meu amor, me livrando do peso que é você.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Sem título
Apaguei o escrevi outrora, para tentar fazer mais bonito dessa vez.
Consegui fazer com que hoje fosse mais bonito que ontem. Consegui me emaranhar em cabelos. Consegui captar dos cabelos o emaranhado de sonhos. Nunca pensei que o simples toque guardasse em si tantos atributos de uma sinestesia generalizada.
Senti o cheiro, o gosto, a cor de um toque.
Ouvir o som da voz. Ai, que coisa tão maravilhosa. Mirar bem no fundo dos olhos. Para mim é certo que poucos fazem isso comigo. Mirar no fundo dos meus olhos é se perder num abismo que a maioria não está disposto.
Mas, no mistério dos meus olhos está o que meu corpo explica.
Você que me leu tão precisamente, embora tão depressa. Você de quem cheguei tão perto. Você que eu nem conheço. Senti hoje o cheiro de sua alma e ao contrário do que eu pensava das almas, elas cheiram exatamente como os corpos.
Têm o cheiro bom da manhã, têm o cheiro de ombros. De ombros que largaram todo o peso pra trás. A alma cheira ao pó. Ao pó espanado da mobília antiga, do estofado do carro que nós não temos, mas que está lá.
As almas cheiram a mãos e cabelos. A braços e pernas. A um abraço demorado.
A alma tem cheiro de pele.
Música: Cantinho- Ana Carolina
Consegui fazer com que hoje fosse mais bonito que ontem. Consegui me emaranhar em cabelos. Consegui captar dos cabelos o emaranhado de sonhos. Nunca pensei que o simples toque guardasse em si tantos atributos de uma sinestesia generalizada.
Senti o cheiro, o gosto, a cor de um toque.
Ouvir o som da voz. Ai, que coisa tão maravilhosa. Mirar bem no fundo dos olhos. Para mim é certo que poucos fazem isso comigo. Mirar no fundo dos meus olhos é se perder num abismo que a maioria não está disposto.
Mas, no mistério dos meus olhos está o que meu corpo explica.
Você que me leu tão precisamente, embora tão depressa. Você de quem cheguei tão perto. Você que eu nem conheço. Senti hoje o cheiro de sua alma e ao contrário do que eu pensava das almas, elas cheiram exatamente como os corpos.
Têm o cheiro bom da manhã, têm o cheiro de ombros. De ombros que largaram todo o peso pra trás. A alma cheira ao pó. Ao pó espanado da mobília antiga, do estofado do carro que nós não temos, mas que está lá.
As almas cheiram a mãos e cabelos. A braços e pernas. A um abraço demorado.
A alma tem cheiro de pele.
Música: Cantinho- Ana Carolina
sábado, 29 de março de 2008
Ais
A pele está aberta em cada centímetro onde você passou. Cada canção romântica dói, a brisa hoje arde em brasa em cada centímetro onde você passou. Ao contrário do que parece, eu já não quero mais. O que faz doer é a cisma, e nada há de romântico nisso. Meus dias são contados, assim, como todas as coisas sublimes, como as luas. Como aquela Lua que nos serviu de testemunha. Testemunha do acaso, testemunha do nada. Testemunha de mim, apenas.
segunda-feira, 24 de março de 2008
O sonho tácito.
E o rapaz dos pés alados sumiu tão depressa quanto apareceu. A cortesia rude daquele curto momento se dissipara quando as asas em seus pés ordenaram a partida, e o que ficava era poeira, um livro e a lembrança.
A Ade Ofara não era incômoda a lembrança, ao contrário, embora ela não conseguisse explicar, ter do que lembrar era sinal de que algo entre os dois algum dia foi real.
Há três noites Ofara sonhava com o rapaz e passava o dia se perguntando sobre o que estava por vir, por certo, algo importante, o grande distribuidopr de sonhos não repetiria tantos deles em vão.
Durante dias, esperou ansiosa a hora de deitar-se, para saber quais histórias viveria durante a madrugada. E o fato se tornou rotina: quando havia sol elas aguardava a noite, e assim colecionava sonhos, como quem coleciona amores.
A Ade Ofara não era incômoda a lembrança, ao contrário, embora ela não conseguisse explicar, ter do que lembrar era sinal de que algo entre os dois algum dia foi real.
Há três noites Ofara sonhava com o rapaz e passava o dia se perguntando sobre o que estava por vir, por certo, algo importante, o grande distribuidopr de sonhos não repetiria tantos deles em vão.
Durante dias, esperou ansiosa a hora de deitar-se, para saber quais histórias viveria durante a madrugada. E o fato se tornou rotina: quando havia sol elas aguardava a noite, e assim colecionava sonhos, como quem coleciona amores.
sábado, 22 de março de 2008
Sobre o olho da sina.
Nos olhos das crianças residem mil coisas...
Para além da ingenuidade e da pureza, residem os medos dos adultos. Tudo que aquele homem temia, estava nos olhos daquela garotinha. Todos os medos e frustrações daquela mulher, naqueles olhos também estavam. E ela sabia, a despeito do que pudesse parecer, que sobre aqueles ditos, tinha um trunfo.
Ante tudo o que eles questionassem, ela dava o silêncio.
E assim foi, até que o destino a batizou: Aborto de Satanás.
Quão infame poderia ser seu futuro, se nem Ele a quisera mais?
Mas aquela criança ri
E sobre todos os pesares, ela ri
E seu sorrir ilumina
As marcas e frieiras de quem.
E seu sorrir arruina
A calma e a paz de alguém.
Mas ela, antes de ser, é.
E depois, quando tudo aquilo se for
Ela ainda será.
Nos olhos dos jovens residem outras tantas...
Ai, menino.
Que guardas nesses olhos nem tão meninos assim? O sumiço é resposta. Quarto, papel, folha, lápis, livro, bicicleta, cobertor. Tudo em teu cotidiano.
Vontade, carência, fome, desejo, engano,engano,engano,engano. Tudo em teus olhos.
Escrito em conversa com Márquez.
Para além da ingenuidade e da pureza, residem os medos dos adultos. Tudo que aquele homem temia, estava nos olhos daquela garotinha. Todos os medos e frustrações daquela mulher, naqueles olhos também estavam. E ela sabia, a despeito do que pudesse parecer, que sobre aqueles ditos, tinha um trunfo.
Ante tudo o que eles questionassem, ela dava o silêncio.
E assim foi, até que o destino a batizou: Aborto de Satanás.
Quão infame poderia ser seu futuro, se nem Ele a quisera mais?
Mas aquela criança ri
E sobre todos os pesares, ela ri
E seu sorrir ilumina
As marcas e frieiras de quem.
E seu sorrir arruina
A calma e a paz de alguém.
Mas ela, antes de ser, é.
E depois, quando tudo aquilo se for
Ela ainda será.
Nos olhos dos jovens residem outras tantas...
Ai, menino.
Que guardas nesses olhos nem tão meninos assim? O sumiço é resposta. Quarto, papel, folha, lápis, livro, bicicleta, cobertor. Tudo em teu cotidiano.
Vontade, carência, fome, desejo, engano,engano,engano,engano. Tudo em teus olhos.
Escrito em conversa com Márquez.
quarta-feira, 19 de março de 2008
Miopia
Passei os últimos dois dias pensando a respeito da miopia.
Tenho sentido dificuldade em burlar os abismos de comunicação entre mim e o alheio. Rogo diariamente às musas que a tantos inspiraram, que me inspirem pelo menos uma vez, com palavras que burlem a miopia de seus sentidos.
Não pode ser sério uma pessoa não perceber os cânticos entoados pelo coro que habita uma alma. Duvido da realidade que sussurra,no mais sensível acesso a meu cérebro, que querer é errado.
Hoje me deitei em pensamentos, tentando ver se encontrava em meus registros mentais o oftalmologista mais próximo.
Depois de recordistas sete dias, chorei.
Acho que não encontrei no catálogo dos dias, o tal especialista.
Posto que não tenho essa habilidade científica, te deixo com tua miopia generalizada, torcendo para que ela não e abata sobre todos.
Ou para que vire , de todo, uma cegueira.
Dia sem música.
Tenho sentido dificuldade em burlar os abismos de comunicação entre mim e o alheio. Rogo diariamente às musas que a tantos inspiraram, que me inspirem pelo menos uma vez, com palavras que burlem a miopia de seus sentidos.
Não pode ser sério uma pessoa não perceber os cânticos entoados pelo coro que habita uma alma. Duvido da realidade que sussurra,no mais sensível acesso a meu cérebro, que querer é errado.
Hoje me deitei em pensamentos, tentando ver se encontrava em meus registros mentais o oftalmologista mais próximo.
Depois de recordistas sete dias, chorei.
Acho que não encontrei no catálogo dos dias, o tal especialista.
Posto que não tenho essa habilidade científica, te deixo com tua miopia generalizada, torcendo para que ela não e abata sobre todos.
Ou para que vire , de todo, uma cegueira.
Dia sem música.
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